Criativos de Hollywood são forçados a ensinar IA a fazer seus trabalhos em troca de renda em meio à estagnação da indústria
Profissionais de bastidores em Hollywood estão aceitando treinar IAs para sobreviver em meio à escassez de trabalho, mesmo cientes de que isso pode significar o fim de suas carreiras.
Uma reportagem do jornal The Guardian revelou que alguns criativos de Hollywood, como roteiristas, diretores e produtores, estão recorrendo a bicos como "treinadores de IA" para garantir renda em meio à forte retração de postos de trabalho na indústria do entretenimento.
O trabalho varia desde ensinar a IA a escrever roteiros e planejar cronogramas de filmagem até revisar a qualidade de conteúdos gerados por IA por meio de RLHF (Aprendizagem por Reforço a partir de Feedback Humano), com remuneração que varia de 12 a 200 dólares por hora. No entanto, vários profissionais admitem um sentimento ambíguo: o trabalho parece "cavar a própria cova", já que as habilidades que ensinam serão usadas para substituir a mão de obra humana no futuro.
Essa situação ocorre em meio a uma crise econômica no setor audiovisual, onde o volume de trabalho caiu cerca de 35%, somada ao fato de que grandes estúdios começaram a adotar tecnologias de inteligência artificial de forma mais intensa. Dados indicam que, em 2026, a Netflix deve incorporar IA em cerca de 300 de suas 1.000 produções.
Reflete a pressão enfrentada por trabalhadores criativos em todo o mundo diante do avanço da IA e da crise econômica, que os forçam a escolher a sobrevivência a curto prazo, mesmo correndo o risco de perderem suas profissões a longo prazo. Isso serve como um alerta para carreiras baseadas em criatividade na era atual.