Estudo aponta que relatórios de uso de IA de grandes empresas ocultam quase metade da realidade
Relatórios de uso de IA publicados por empresas desenvolvedoras podem não refletir o panorama completo, após uma equipe de pesquisadores independentes descobrir que quase metade dos dados sobre assuntos pessoais foi descartada.
Em um mundo onde a tecnologia de inteligência artificial desempenha um papel fundamental, a maioria das informações sobre como as pessoas utilizam a IA generativa vem de relatórios das próprias empresas desenvolvedoras, como OpenAI e Anthropic, que frequentemente focam em dados de trabalho e produtividade (Work & Productivity).
No entanto, Anka Reuel, estudante de doutorado em ciência da computação no Stanford Trustworthy AI Research (STAIR Lab), aponta que esses dados ainda carecem de fontes de verificação independentes.
Recentemente, pesquisadores do MIT Media Lab, da Universidade Stanford e da rede de pesquisa independente Data Provenance Initiative (DPI) lançaram o projeto "AI Observatory" para coletar e analisar dados do mundo real sobre o uso de IA de forma transparente, com base em 24.521 conversas consentidas (totalizando 85.633 interações) abrangendo 52 modelos de linguagem.
Os resultados da análise mostraram que, ao aplicar metodologias de filtragem de dados semelhantes às utilizadas por empresas de IA (como o Anthropic Economic Index), cerca de 48% das conversas reais acabam sendo descartadas. O conteúdo filtrado costuma envolver temas pessoais, como saúde, relacionamentos e assuntos sensíveis, o que reflete que os relatórios oficiais podem não mostrar o panorama real de como as pessoas realmente utilizam a tecnologia.
Isso demonstra que a percepção atual do uso da IA pode estar limitada a questões de negócios e trabalho por motivos de marketing ou políticas corporativas, enquanto o uso cotidiano pelo público geral acaba sendo ignorado.