Pesquisa indica que LLMs ajudam na revisão de modelos epidemiológicos, mas supervisão humana segue essencial
Pesquisadores desenvolveram um pipeline para LLMs extraírem dados de 536 estudos sobre propagação de doenças; precisão por artigo chegou a 81,67%, mas variou conforme a complexidade dos dados.
O estudo intitulado “Leveraging Large Language Models for Systematic Literature Review of Disease Spread Models” avaliou o uso de Large Language Models (LLMs) na realização de revisões sistemáticas de literatura (SLR), um processo que costuma demandar muito tempo para buscar, ler e categorizar artigos acadêmicos sob critérios padronizados.
A equipe desenvolveu um pipeline para extrair dados relevantes de 536 artigos revisados por pares focados em modelagem baseada em agentes (agent-based modeling) para a propagação de doenças. Em seguida, os resultados automatizados foram comparados a uma SLR conduzida por humanos.
Na análise por artigo, o GPT-4.1 obteve cerca de 77,95% de precisão, enquanto o GPT-5.0 alcançou aproximadamente 81,67%. No entanto, o desempenho variou muito dependendo do tipo de informação: ao avaliar por campo de dados específico, a precisão oscilou entre 32,40% e 100,00%, com métricas menos confiáveis em campos complexos ou sujeitos a interpretação subjetiva.
O estudo também constatou que o nível de concordância entre diferentes LLMs pode funcionar como um indicativo preliminar de qualidade. Divergências acentuadas costumam sinalizar alucinações (geração de dados plausíveis, mas ausentes no texto original), ajudando a definir quais campos exigem revisão humana prioritária — embora a concordância entre modelos não seja garantia absoluta de exatidão.
Assim, as conclusões apoiam o uso de LLMs para aliviar a carga operacional na extração de dados, e não para substituir os pesquisadores, especialmente em tarefas que exigem julgamento crítico e interpretação de contexto. O artigo foi publicado no arXiv (categoria cs.AI) e tem apresentação prevista na Winter Simulation Conference 2026.
Acelerar a revisão de grandes volumes de estudos epidemiológicos pode ajudar pesquisadores e autoridades de saúde pública a acompanhar o avanço científico com mais agilidade; contudo, a ampla variação na precisão exige validação de especialistas antes da tomada de decisões.