Nova Orleans testa IA da Carbyne para triar chamadas de emergência 911 e reforça que ela não substituirá atendentes
Centro de emergência de Nova Orleans usa IA da Carbyne para filtrar chamadas duplicadas sobre o mesmo incidente, reduzindo a carga dos operadores, e garante que casos graves continuam sendo encaminhados a atendentes humanos
A Orleans Parish Communication District (OPCD), órgão responsável pelo centro de atendimento de emergências de Nova Orleans, no estado da Louisiana, está utilizando o sistema "AI Emergency Call Triage" da empresa Carbyne para ajudar a gerenciar o volume de chamadas ao número de emergência. A notícia virou assunto no Hacker News, com 72 pontos e mais de 117 comentários.
O coração do sistema é a triagem de chamadas duplicadas sobre o mesmo incidente. O exemplo citado é o de um acidente de trânsito com grande número de pessoas ligando ao mesmo tempo — um problema clássico que faz os atendentes (dispatchers) perderem tempo registrando a mesma ocorrência repetidamente, enquanto novas emergências podem ficar esperando na fila.
O funcionamento é o seguinte: quando uma ligação entra, o sistema verifica primeiro se ela está relacionada a um incidente já reportado. Em caso positivo, o sistema informa automaticamente ao autor da chamada as atualizações disponíveis. Se não houver relação, ou se for outro tipo de emergência — como um crime violento ou uma ocorrência médica — a ligação é transferida imediatamente para um atendente humano.
O ponto que o órgão faz questão de enfatizar é que o sistema não veio substituir os atendentes, mas sim servir como ferramenta complementar de triagem e gestão do volume de chamadas durante grandes incidentes, permitindo que as equipes foquem nos casos que exigem ajuda urgente. A OPCD fez o esclarecimento à imprensa local WWL-TV/Nola.com após a repercussão de que a IA estaria atendendo o 911 no lugar de pessoas.
Ainda assim, o uso de IA em sistemas de emergência segue sendo um tema acompanhado de perto por diversos setores, pois um erro de triagem pode custar vidas. Além disso, os dados divulgados até agora não incluem resultados concretos, como a proporção de chamadas que a IA consegue resolver ou a taxa de erros de triagem — o que significa que a eficácia real do sistema ainda precisará ser comprovada com o uso prolongado.
Este é um exemplo real de aplicação de IA em infraestrutura de segurança pública. As políticas e lições daqui podem servir de modelo para centrais de emergência no mundo todo, inclusive para os sistemas 191/1669 da Tailândia, que também enfrentam sobrecarga de chamadas durante grandes incidentes.