Pesquisadores propõem 'Memory Engine', modelo físico onde sistemas criam ordem própria através de 'memória' interna
Um novo estudo publicado na Physical Review E apresenta um modelo no qual partículas criam padrões organizados de movimento ao deixar rastros na superfície onde se deslocam, funcionando como uma 'memória' do sistema.
Uma equipe de pesquisa publicou um estudo relevante na revista Physical Review E, intitulado "Memory engine: Self-organized coherence from internal feedback", introduzindo o conceito de 'Memory Engine'. O modelo descreve como sistemas aparentemente caóticos podem gerar ordem a partir de si mesmos, sem a necessidade de forças ou controladores externos.
O núcleo deste modelo é a ideia de "memória" originada da interação entre a partícula e o ambiente. Os pesquisadores simularam uma partícula browniana movendo-se sobre uma superfície viscoelástica. Essa superfície não é apenas um espaço vazio, mas atua como um registro do caminho percorrido, formando um "campo de memória".
O mecanismo funciona através de um ciclo de feedback interno: à medida que a partícula se move, ela altera as propriedades da superfície local. Esse rastro gravado influencia ou restringe os movimentos futuros da própria partícula. Esse processo opera sob o framework chamado Coupled Memory Graph Process (CMGP), um sistema que não esquece o passado (não-Markoviano).
As simulações computacionais revelaram um fenômeno notável: o sistema transita de um movimento aleatório (difusão não estruturada) para um padrão organizado e cíclico, chamado de "ciclos de burst-trap", onde a partícula alterna entre rajadas rápidas e períodos de estagnação. O fator determinante para essa transição é a rigidez (stiffness) da superfície que atua como unidade de memória.
Este modelo pode ser a chave para entender como sistemas complexos, desde células biológicas até redes de IA, podem criar ordem e 'aprender' a partir de seu próprio histórico sem qualquer intervenção externa.